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Reportagens

Mi embriagante Mendoza

Eclética, Mendoza atrai desde os amantes de esportes radicais e esqui na neve até os bucólicos contempladores da natureza. Mas o grand finale é igual pra todos: depois de degustar os melhores tintos e brancos produzidos na Argentina, você nunca mais vai segurar uma taça do mesmo jeito.

04/07/2009

A primeira sensação que Mendoza causa ao visitante, ainda do avião, é de perplexidade. Como no milagre da transformação da água em vinho, os moradores conseguiram o aparentemente impossível: dos tons terrosos das áreas semidesérticas aos pés da Cordilheira dos Andes, paradoxalmente surgiram na vegetação local as mais vivas cores da natureza (fala-se em uma árvore para cada um dos cerca de 1 milhão de habitantes da grande Mendoza). Uma verdadeira proeza, considerando que lá a chuva corresponde a cerca de 1/3 do que chove em nosso Sertão (em alguns trechos, o índice pluviométrico é quase tão baixo quanto no Saara). A explicação para essa façanha é um dos maiores orgulhos dos mendocinos: utilizando as águas do degelo da Cordilheira, eles criaram um sistema de irrigação através das acéquias, valetas pavimentadas a céu aberto, que ficam nas ruas, entre a passagem de pedestres e a dos carros.
A cidade não cultiva a boemia com o mesmo fervor que Buenos Aires, mas tem no carpe diem seu brilho turístico: sua riqueza arbórea, belas praças (ao todo, são mais de 50) e exuberantes paisagens são um convite irrecusável ao turismo bucólico e contemplativo em meio à arquitetura neoclássica que predomina na cidade. Sua atração principal, no entanto, está nas centenas de vinícolas que compõem os “Caminhos do Vinho”, num roteiro digno de impressionar até mesmo Baco, ícone dessa bebida milenar.

Da Água para o Vinho

Ir a Mendoza é fazer, brincando, um workshop de vinhos sob a Cordilheira dos Andes coberta de neve como pano de fundo. A cidade respira vinho. Dos mais populares aos mais sofisticados, são engarrafados anualmente cerca de 11 milhões de hectolitros de vinho, o que corresponde a quase 70% do total produzido no país (trata-se da região produtora mais importante da América do Sul). Suas peculiares condições climáticas e características do solo permitem o cultivo de quase todos os tipos de uvas, porém seu terroir é perfeito para a malbec. Somente 5% da terra é cultivada, mais da metade disso com os vinhedos.
Depois de três ou quatro dias de visitas às tradicionais bodegas, você nunca mais irá apreciar a bebida do mesmo jeito. Seu olfato e paladar vão arriscar-se a descobrir as dezenas de aromas e sabores possíveis, os quais você jamais poderia imaginar existir. Madeira, café, chocolate, framboesa, cereja, baunilha, mel... na trilha dos "Caminhos do Vinho" é possível degustar os mais diferentes tipos da bebida, conhecer seus processos de fabricação e ainda contemplar as mais belas paisagens da região. Ao todo, Mendoza possui mais de mil vinícolas, porém apenas cerca de cem estão preparadas para receber os turistas. Mas não é preciso conhecer tudo. As diferenças entre elas estão basicamente no modelo de produção (algumas conservam o processo artesanal, enquanto outras apostam nas mais sofisticadas tecnologias). Durante o percurso, o visitante tem a oportunidade de conhecer todo o processo de produção, que vai desde a colheita, a separação, a retirada do suco, o amadurecimento, o envelhecimento e o engarrafamento. Trata-se do circuito plantas/ tanques de fermentação/ barris de carvalho. Há vários programas, que incluem até oito visitas a bodegas. Nosso roteiro, montado pela operadora de viagens Nascimento Turismo, incluiu a visita a cinco bodegas: O. Fournier, Andeluna, Catena Zapata, Tapiz e Norton. As regiões onde estão localizadas marcam o que se consagrou como os “Caminhos do Vinho”: Luján de Cuyo, Maipú e Valle de Uco (no centro-oeste), e San Rafael e Vale Central (ao sul), onde são cultivados os mais variados tipos de uva: malbec, merlot, cabernet sauvignon, pinot, sirah, val semina e borgonha, levadas da Europa por imigrantes há mais de 500 anos, desde a chegada dos espanhóis. Mas foi, sobretudo, no século XIX, com a chegada de imigrantes franceses e italianos, que a coisa começou a ser levada a sério – algumas vinícolas existem desde aquela época. Porém, as bodegas só recebem grupos pequenos, e com agendamento prévio. Portanto, cuide de fazer a reserva com antecedência para não correr o risco de perder a viagem. Uma dica é a Aymará, agência de turismo e receptiva que possui ótimos guias para acompanhá-los às visitas e aos passeios pela cidade e Aconcágua.

Por Cristina Magnani  cristina@editoraa2.com.br

Leia esta reportagem completa na 43ª edição da revista BIANCHINI


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